Baiano resgatado após 28 anos de trabalho análogo à escravidão permanece na casa dos patrões
Foto: MPT/Divulgação
Um trabalhador baiano de 56 anos, resgatado após passar 28 anos em condições análogas à escravidão, permanece na residência da família para a qual trabalhava, no Lago Norte, em Brasília. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), o homem chegou ao Distrito Federal em 1998 e realizava serviços de jardinagem e cuidados com animais, recebendo aproximadamente R$ 200 por semana, sem férias e em condições precárias. Mesmo após a fiscalização, o trabalhador demonstrou resistência em deixar o imóvel devido à dependência material e à falta de alternativas de moradia e sustento.
As investigações do MPT também apontaram que o baiano teve seus dados pessoais utilizados em cinco empresas ligadas aos empregadores, chegando a aparecer como sócio majoritário e administrador de negócios que desconhecia. Em uma das empresas, ele figurava como proprietário de 90% do capital social. O caso começou a ser investigado após uma denúncia anônima recebida em agosto deste ano. Durante a fiscalização, realizada com participação da Auditoria-Fiscal do Trabalho e da Polícia Federal, foram identificadas diversas irregularidades trabalhistas.
A Justiça do Trabalho determinou o pagamento provisório de uma pensão mensal equivalente a um salário mínimo ao trabalhador, além do bloqueio de até R$ 324,2 mil em bens e valores de quatro integrantes da família investigada. O MPT também pede R$ 2 milhões em indenizações por danos morais individuais e coletivos, além do pagamento dos direitos trabalhistas pendentes. O órgão solicitou ainda que o homem seja afastado da família no prazo de três meses, com acompanhamento da assistência social. O processo segue em andamento, sem condenação definitiva.



